CORRIDA EM JEJUM
Descubra se a corrida em jejum pode ser eficiente para sua metodologia de treino com esse blog completo !
Luis Gustavo Ferreira L.
1/16/20263 min read


Corrida em Jejum: Benefícios, Malefícios e o que a Ciência Diz
A corrida em jejum é uma prática cada vez mais comum entre corredores amadores e praticantes de atividade física que buscam melhora da composição corporal, especialmente a redução de gordura. No entanto, apesar da popularidade, o tema ainda gera muitas dúvidas, mitos e interpretações equivocadas. Neste artigo, você vai entender de forma técnica, detalhada e baseada em fisiologia do exercício quais são os benefícios, os riscos e para quem a corrida em jejum realmente faz sentido.
O que é corrida em jejum?
A corrida em jejum é realizada após um período prolongado sem ingestão de alimentos, geralmente 8 a 12 horas, sendo mais comum no período da manhã, antes do café da manhã. Nesse contexto, o organismo apresenta níveis reduzidos de glicogênio hepático e, dependendo do caso, muscular.
Bases fisiológicas da corrida em jejum
Durante o exercício aeróbio, o corpo utiliza principalmente:
Carboidratos (glicogênio e glicose sanguínea)
Gorduras (ácidos graxos livres)
Quando o indivíduo está em jejum:
O glicogênio hepático está baixo
A insulina está reduzida
Há maior liberação de glucagon, adrenalina e noradrenalina
Essas condições favorecem:
Maior mobilização de gordura
Maior oxidação de ácidos graxos durante o exercício
Importante: maior uso de gordura durante o exercício não significa, necessariamente, maior perda de gordura corporal ao longo do tempo.
Benefícios da corrida em jejum
Aumento da oxidação de gordura durante o exercício
Estudos mostram que exercícios aeróbios realizados em jejum aumentam a utilização de gordura como fonte energética, especialmente em intensidades baixas a moderadas (zona 1 e 2).
Isso ocorre devido à menor disponibilidade de carboidratos e ao ambiente hormonal favorável.
Melhora da flexibilidade metabólica
A prática frequente (e bem controlada) pode melhorar a capacidade do organismo de alternar entre carboidratos e gorduras como fonte de energia, algo conhecido como flexibilidade metabólica, importante para esportes de endurance.
Estratégia útil para corredores experientes
Para atletas ou corredores avançados, a corrida em jejum pode ser usada como:
Estratégia de treino metabólico
Ferramenta para adaptação mitocondrial
Simulação de cenários de baixa disponibilidade energética
Sempre com controle de intensidade e volume.
Malefícios e riscos da corrida em jejum
Apesar dos benefícios, a corrida em jejum não é isenta de riscos, principalmente quando mal aplicada.
Maior risco de perda de massa muscular
Em jejum prolongado, especialmente associado a:
Déficit calórico elevado
Baixa ingestão proteica
Treinos frequentes ou intensos
O corpo pode aumentar a oxidação de aminoácidos, favorecendo o catabolismo muscular.
Queda de rendimento
A baixa disponibilidade de glicogênio pode resultar em:
Redução da intensidade sustentada
Sensação precoce de fadiga
Pior qualidade técnica da corrida
Por isso, não é indicado fazer tiros, tempo run ou treinos intensos em jejum.
Risco de hipoglicemia
Principalmente em:
Pessoas iniciantes
Indivíduos sensíveis à queda de glicose
Longos períodos de jejum
Sintomas incluem:
Tontura
Fraqueza
Náusea
Visão turva
Aumento do estresse fisiológico
Correr em jejum eleva a liberação de cortisol. Em excesso, isso pode:
Prejudicar a recuperação
Afetar o sistema imunológico
Aumentar o risco de overtraining
Para quem a corrida em jejum é indicada?
✅ Corredores intermediários ou avançados
✅ Pessoas com boa adaptação metabólica
✅ Treinos leves (até 45–60 minutos)
✅ Objetivos específicos de controle de gordura
Para quem NÃO é indicada?
❌ Iniciantes na corrida
❌ Pessoas com histórico de hipoglicemia
❌ Treinos longos ou de alta intensidade
❌ Indivíduos com baixo percentual de gordura
Como aplicar a corrida em jejum de forma segura
Intensidade: leve a moderada (Z1–Z2)
Duração: 30 a 60 minutos
Frequência: 1 a 2 vezes por semana
Pós-treino: refeição com proteína + carboidrato
Monitorar sinais de fadiga excessiva
Dica prática: café preto sem açúcar pode ajudar na performance sem quebrar o jejum.
Corrida em jejum emagrece mais?
A resposta científica é clara:
O que determina a perda de gordura é o balanço energético ao longo do tempo, não apenas o fato de correr em jejum.
Correr alimentado pode permitir:
Treinos mais intensos
Maior gasto calórico total
Melhor preservação muscular
Conclusão
A corrida em jejum é uma ferramenta, não uma regra. Quando bem aplicada, pode gerar adaptações metabólicas interessantes. Quando usada de forma indiscriminada, pode comprometer rendimento, saúde e composição corporal.
O melhor protocolo é sempre aquele individualizado, alinhado ao nível de treino, objetivo e contexto nutricional.
Autor: Luis Gustavo Ferreira Lisboa
Categoria: Corrida | Fisiologia do Exercício | Emagrecimento
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